O celeiro do mundo passa fome

Circula nas redes sociais um vídeo comparando o poder de compra nos EUA e no Brasil. No vídeo o rapaz compara o preço de uma caminhonete no Brasil e quantas caminhonetes é possível comprar nos States (Estados Unidos da América). Não bastando a vergonha de poder ter uma caminhonete “zero bala” à preço de “segunda mão” o “infeliz” ainda compara os impostos e o custo para fazer a máquina rodar – o combustível.

Não é de hoje que comparações entre poder de compra são feitos entre os países. Você já ouviu falar no Índice Big Mac? Não?! Mas já comeu um Big Mac em uma das franquias da rede McDonald's, certo? “O Índice Big Mac, criado pela revista The Economist em 1986, é uma forma lúdica e informal de medir a paridade do poder de compra entre as moedas de diferentes países. Por isso, ele também é considerado um índice de inflação. [...] o bem utilizado para a comparação é o Big Mac, o popular hambúrguer vendido pelo McDonald’s presente em muitos países ao redor do mundo. O índice compara o preço de um Big Mac em vários países com o preço em dólares nos EUA. Essa abordagem simples oferece uma visão acessível e tangível das diferenças de poder de compra e das complexidades do mercado cambial (Empiricus, 2024)¹.”

Em face das circunstâncias há os patriotas que ainda falam de boca cheia que o Brasil é o celeiro do mundo e alimenta o planeta inteiro. Veja bem, eu tenho lá as minhas dúvidas. Não seria se gabar pelos louros do passado? Lembro-me que muita laranja que o brasileiro usou para fazer suco em tempos não muito remotos eram Made in USA. E se você reparar na feira do supermercado notará muita fruta de origem nacional importada do estrangeiro. “Algo de errado não está certo!” diriam os jovens.

“Atualmente, a China é o maior produtor e importador agrícola do mundo. Em 2023, a produção agrícola anual da China foi avaliada em US$ 1,69 trilhão, sendo US$ 1,65 trilhão foi atribuído a alimentos, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)².”
Sem que falar que se já não bastasse a falta de conhecimento do brasileiro ele ainda é um povo que não valoriza quem produz o alimento que coloca na mesa dele. E o governo? Deve ter lá muitas outras preocupações enquanto aquele que produz é um dos famintos no cenário da desnutrição nacional. Uma notícia veiculada pelo jornal “O Tempo” é alarmante: “Insegurança alimentar afeta 34,5% das residências em áreas rurais e 26,7% em cidades”.

“O dado é da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao último trimestre de 2023, e contrasta com o desempenho agrícola do país. O Brasil produz alimentos suficientes para atender as necessidades calóricas de 900 milhões de pessoas, ou 11% da população mundial, segundo pesquisa recente do BTG Pactual. Além disso, é o maior exportador do mundo de soja, milho, café, açúcar, carne bovina e carne de frango. Porém, produção é uma coisa, e abastecimento da população é outra, segundo o representante do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas no Brasil Daniel Balaban. ‘Não são as grandes empresas do agronegócio, que têm milhares de máquinas, que produzem o que consumimos. Essas grandes empresas enviam os alimentos para o exterior. Os agricultores familiares, cerca de 5 milhões no país, produzem o que consumimos diariamente. Se queremos aumentar a produção, precisamos olhar para a agricultura familiar’, afirma (O Tempo, 2024)³”.

Se por um lado há falta de alimentos para quem produz, do outro lado as exportações brasileiras de alimentos seguem de vento em popa. “O Brasil não só ganhou novos mercados como também elevou a variedade de produtos colocados em países já tradicionalmente importadores de alimentos brasileiros. A demanda externa vai continuar, e o país deverá manter bons volumes de exportação neste ano. A entidade acredita muito no potencial da Ásia, onde China, Japão e Indonésia se destacam, além da boa demanda do mercado europeu. Dornellas diz que o Brasil tem potencial para aumentar a produção interna de alimentos e ganhar uma fatia ainda maior do mercado internacional. O país tem tecnologia, capacidade de produção, mão de obra especializada e formação de pessoas (Brasil Agro, 2021)⁴.

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